A tarde que passou... e eu a peguei!

O beco e o momento
a Manuel Bandeira


Crianças brincando no jardim
A mãe de olho, sentada, cheirando o jasmim
Eu olhando de longe, de cima, sem olharem para mim:

Olhando a paragem
olhando a beleza
passando essa tarde
com pouca tristeza.

O sol já laranja
chá verde e manga
os carros varando
eu na varanda.

A morte nesta tarde
pouco importa,
não existi.

Os que se foram, cantam;
os que estão, cantam.

Perto do beco de casa,
vi o Bandeira passar ...
Com mãos atrás do corpo
passos lentos
e com olhar distraído;
ainda assim o vi virando a esquina,
onde, como para o beco que saíra,
esboçava um sorriso sem se voltar de lado.
Como se soubesse que depois daquele beco,
não mais havia de novo;
que o beco, era em si, sua única morada.


Lhe dei adeus pelo pensamento
feliz pelo seu andalento.
Pois no papel; o excreto implemento,
tinta e poesia, virou desse momento.



Renato Caio Rodrigues Souza

Nenhum comentário: