A tarde que passou... e eu a peguei!

O beco e o momento
a Manuel Bandeira


Crianças brincando no jardim
A mãe de olho, sentada, cheirando o jasmim
Eu olhando de longe, de cima, sem olharem para mim:

Olhando a paragem
olhando a beleza
passando essa tarde
com pouca tristeza.

O sol já laranja
chá verde e manga
os carros varando
eu na varanda.

A morte nesta tarde
pouco importa,
não existi.

Os que se foram, cantam;
os que estão, cantam.

Perto do beco de casa,
vi o Bandeira passar ...
Com mãos atrás do corpo
passos lentos
e com olhar distraído;
ainda assim o vi virando a esquina,
onde, como para o beco que saíra,
esboçava um sorriso sem se voltar de lado.
Como se soubesse que depois daquele beco,
não mais havia de novo;
que o beco, era em si, sua única morada.


Lhe dei adeus pelo pensamento
feliz pelo seu andalento.
Pois no papel; o excreto implemento,
tinta e poesia, virou desse momento.



Renato Caio Rodrigues Souza

Quando criança, cirandava..! Hoje...

Papel-ema



Pelo papel faço poema.
Pêlo no papel inspira o poema.

Encravado na linha da rima
procuro sobre-sair por cima.
-Sinto que perco-
Pré sinto que chega,
já não há outro caminho.

Aposto.
Destroço nesse papel,
com “pena”,
analítica entre instrumento e sentimento apenas.

Porque o que fica
o que divinifica

Fica na pinça de pensamento, contida,
onde fui fisgar a rima
onde hei de conter o verso em linha.



Renato Cãio

Quando cheguei; a abri...

A Porta

A porta ao lado
no convés da sala
é uma porta aberta,
reta, dois lados.

Porta entre-aberta
no espaço, buraco.
Se a fecham, rasga,
fecham-na por inteiro
não com modos, feio.

A porta é portal
na barriga da fome.
È torta com formigas e
óleo; não comporta
na cidade o mistério
uma miséria.


A proposta é passar,
ruptura no vento
moinhos quadrados;
nós, movendo como água.

Uma portífera tinta
em presságios vivos
a quem cultiva vida,
perdida no desboto da porta.

Porta parada, como
moinho parado. Sem
água. Como tinta aguada
em seu teor, em seu desgasto.

A sala de porta
se consola, pela
vida, que fluxa
órgãos móveis, não imunda.


O ar condiciona a porta
onde ares resfriados
a tiram tinta
não a tiram vida.

Diz-se de um outro ar,
porta e seu mar, é
ar ondular, ondicionado
a respirar seu sal, sem salgar-se.

Combinado entre ar e porta,
sala e vento; o silêncio, para
o resto falar. Mudos mundos;
nós muitos, surdos.

...

A porta ao lado
no convés da sala ...
é uma porta aberta
agora; sem lados, curva.
Num enquadramento de aurora.


TaTo

Ah! A primeira dama,o primeiro drama ,o primeiro post..

Desatino da Verbenácea


O homem?
O homem é sapo.
No papo grosso em seu lago.
É processo tosco, de uma metamorfose louca
que é surpresa.


O sapo-homem não sabe
é pato tapado de seu ser
é esperança morta daquilo que crê.

Mas pato parado é comida;
o coaxar do sapo morto,
é arroto após o almoço,
no prato do homem em família.

O pato de costas é pluma;
como espuma sob linha da banhada menina
um Monte Fuji.

A menina quando vista
alinha a espinha à espera
do que não lhe é surpresa.

Surdo, o Monte Fuji grita...
E é o mesmo o olhar ao Fuji
de quem parado assisti e
não desisti.


Afim de uma paz servida,
habita em cima do Monte
com um monte de parasitas;
mas aplica no sono
o sonho da moradia.

O homem?
O homem é gado.
É manso rebanho
que pasta e parta
depois berra pro bezerro
o erro
à trazer pro seu filho o medo.

O gado-homem tem patas
quadras que galopam entre terras
fazem guerras
não dividem pedras.
E no fim, na morte
adubam chão, como quem faz pazes.

É ganso sem descanso
garganta grande
pra agüentar o entalo
perna remo para logo fugir
do tenro.

O homem?
não é cão, é osso
latido de moço
que encontra na saliva, vida
na carência canina,
medo da morte viva.

Dando os trâmites por findos
o homem ainda compraz por um felino
crivo gato penacho
que em pulos chega ao asco
do mia-mia do dia-dia.


O homem?
O homem é sapo

É frouxo processo em larva que se lava
num brejo louco
que é surpresa a todos os outros.
.
.
:.TaTo